domingo, 20 de maio de 2012

Projeto Estante Pública



Projeto Estante Pública
Por quê colocar  livros em uma parada de ônibus?

“Não deixe morrer um dos melhores e mais acessíveis projetos de leitura comunitária. O conhecimento é a única coisa que ninguém pode nos tirar”.
Jade

As Estantes Públicas foram criadas primariamente para promoverem o acesso da população de Porto Alegre à leitura, é a transvenção(*) posta em prática.
(*)Em Ciências Sociais, é um conceito que trata da relação da sociedade com os espaços públicos onde ela circula. Inicialmente proposto como uma atualização do termo intervenção, uma ação de transvenção se caracteriza por sua colaboratividade.

Os espaços devem ser ocupados no sentido de potencializar a sua existência. Nossa comunidade urbana é especialista em produzir uma imensa quantidade de áreas inúteis, que na falta de uma boa iniciativa, acabam sendo deixadas de lado… ignoradas. A cidade é uma zona de convivência, mas parece que com-viver é o que menos fazemos. Circulamos com nossos objetivos bem delineados e poucas coisas nos fazem parar e observar os outros que passam. Isso acontece mais ainda com quem viaja sozinho em seu automóvel, uma caixa metálica separa o ambiente interno do externo. A Estante Pública aproveita um espaço inutilizado e cria uma área de estar, um ambiente lúdico de descontração. A metáfora nos ajuda a dizer as necessidades da alma. Esse desejo de criar no cotidiano possibilidades de encontro, de contato. O fato da Estante “ser pública” é justamente a ironia de existir sem permissão e ao mesmo tempo oferecer algo em troca. Os espaços públicos existem para o público, que somos nós, todo esse povo que circula nas ruas é criador dessa realidade, afeta e é afetado pelo ambiente. Quando é que vamos colocar a mão na massa e nos responsabillizar por isso? A Estante Pública é um ato cívico que se vale do vandalismo como rompante de expressão. Somos tão comportados não mexendo no que é dos outros que esquecemos de agir naquilo que é nosso. Como entendemos que o que é público não nos pertence temos a justificativa de não precisar contribuir com nada. Por uma moral respeituosa, acabamos por não criar coletivamente. Podemos mudar a ordem das coisas! E isso não é falta de educação, isso é vida na mais alta experiência.

Em última análise, a Estante Pública é um teste de responsabilidade. Atua em um paradoxo da nossa realidade urbana, até que ponto posso mexer no que é do outro? Como posso criar sem destruir? Como atendo as minhas regras individuáis sem ferir as do outro? São armadilhas da vida público-privada… precisamos desarmá-las.
Na foto acima, Luis Flávio Trampo, um dos colaboradores do projeto. Se quiser saber mais sobre o belo trabalho deste artista, veja no post anterior.


“Você é o responsável. Preserve os livros, respeite o próximo”.

Locais em que podem ser vistas as estantes públicas:
Av. Independência, esquina Rua João Telles.
Av. Cristóvão Colombo, 724
Av.  Ganzo, esquina Av. Getúlio Vargas
Rua José de Alencar, 311.
Av. Plínio Brasil Milano, 2050.
Av. Ijuí esquina Av. Bagé.

Texto extraído do site http://www.estantepublica.com.br/site/ acesse AQUI o site.

Luis Flavio Trampo




GRAFFITE = Desenho, inscrição, assinatura ou afim, feito com tinta, geralmente de spray, feito em muros, paredes e outras superfícies urbanas. = GRAFITO

Uma forma de arte espontânea e original, que busca  muitas vezes elementos na realidade conhecida para criar uma outra dimensão e que não encontra barreiras, simplesmente surge transformando a paisagem urbana cotidiana em algo belo e inusitado. Uma expressão artística que me cativou nos últimos anos e que me chama a atenção quando estou andando por aí...

Um dia desses, a caminho do trabalho, vi um graffite de pássaros que me chamou a atenção e resolvi descobrir quem era o autor para compartilhar aqui.

Luis Flavio Trampo, Skatista desde 1986, época em que também começou a fazer seus primeiros rabiscos urbanos. Na década de 90, fez parte de grupos que deram os primeiros passos na cultura de rua porto-alegrense, sendo hoje um dos grafiteiros mais respeitados do Rio Grande do Sul. Seu estilo de trabalho é influenciado pela cultura brasileira, desde as tribos indígenas e a xilogravura, até problemas sociais e personagens urbanos. Já expôs na galeria Adesivo e em outros espaços independentes e esteve na Alemanha como muralista. Conhecido por seu trabalho social, Trampo é referência de arte urbana em Porto Alegre, participando tanto como voluntário em oficinas para menores em comunidades carentes, como também transmitindo esse mesmo conhecimento em universidades e workshops. Sua circulação em diferentes meios, se reflete também na sua produção e na multiplicidade da aplicação de suas obras. Independente da forma como faz, seu objetivo é sempre o mesmo, levar a arte para onde as pessoas estão.

Claro que este é apenas um dos temas usados pelo artista, mas como amo passarinhos estou trazendo fotos destes:










sábado, 28 de abril de 2012

A Divina Comédia (post 03)



Imagem de Davide Bischeri

Cheguei ao fim desta obra singular que tanto influenciou artistas e inspirou outros escritores. A terceira e última parte da Divina Comédia fecha com chave de ouro, quando o poeta Dante Alighieri, depois de trilhar o inferno e finalmente ultrapassar o purgatório, chega ao Paraíso, onde é guiado por sua musa amada, Beatriz.

Em termos de grau de dificuldade na leitura, achei o Inferno e o Paraíso mais fáceis em relação ao Purgatório, cujo título já diz tudo, é para purgar. Por este motivo volto a afirmar, é uma obra para ser lida aos poucos, assim haverá tempo de entender e inclusive assimilar certos conceitos filosóficos.

Vejam os primeiros posts da Divina Comédia AQUI e AQUI.


Canto IV – Pág. 434

[...] – Ó tesouro do amor, primeiro, ó diva
(Disse eu), de glória a vossa voz me inunda
E exalta, cada vez mais me enlevando:
Não Obtém ser tão fundo o meu afeto,
Que logre agradecer favores tantos;
Mas supra aquele que vê tudo, e pode.
Compreendo, que nunca o intelecto
Se sacia, não vindo ilumina-lo
Essa verdade donde as mais procedem.
Se a consegue atingir, qual no antro a fera,
Já quedo: Nem vedado é alcança-la,
Ou vãos seriam os desejos nossos.
Por isso a dúvida à feição de broto
Nasce ao pé da verdade; e a Deus natura
Assim de grau nos vai levando.
Isto me anima, dama, e me convida
A rogar-vos com toda reverência
Me aclareis verdade outra a mim obscura.
Saber pretendo se é lícito aos homens
Rotos votos suprir com obras boas,
Que a talante a balança eterna inclinem. –
Olhou-me Beatriz com olhos plenos
De tal fogo de amor, e tão divinos,
Que anulados os meus baixei à terra,
E perdi quase o acordo dos sentidos.


Canto XXII – pág. 537
São Benedito fala ao poeta.

[...]Jacó o Patriarca, quando de anjos
Às suas vistas se mostrou repleta.
Hoje, porém, ninguém na terra busca
Subir os lances seus; e a minha regra
No mundo em letra morta se há tornado.
Os muros, que serviam de abadia,
Tornaram-se espeluncas; e as túnicas,
De farinha corrupta enchidos sacos.
Ao alvitre divino a grave usura
Ofende menos, que a riqueza prava,
Que eiva de insânia o coração dos monges.
É cabedal, quando acumula a igreja,
Da indigência, que em nome de Deus pede;
Não de parentes, ou pior do que eles.
A carne dos mortais é tão pecável,
Que os bons comedimentos menos duram,
Que o roble dês que nasce até dar fruto. [...]


Edição da Editora Pradense
contendo 605 páginas ao todo

Abraço 
Jade

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Os Crimes do Mosaico


Um triller histórico envolvente com uma boa dose de mistério. A trama inicia-se em São João do Acre, no alvorecer do dia 28 de maio de 1291, uma antiga fortaleza que fez parte do reino de Jerusalém na época dos cruzados. Este é o dia em que os cruzados foram derrotados pelos sarracenos, mas algumas pessoas conseguem fugir de navio e com elas parte um segredo que poderá mudar o mundo conhecido até então. O Desenrolar da história acontece em Florença, no ano de 1300. Dante Alighieri (poeta italiano, conhecido mundialmente pela autoria da Divina Comédia) é o personagem principal. Por volta de meia-noite, Dante que acabara de ser eleito prior da cidade, é chamado às pressas pelo chefe da guarda, pois um crime horrendo foi cometido. Enquanto avançavam nas trevas, até o local do assassinato, Dante percebia uma presença densa e traiçoeira ao lado deles, como se o mal realmente estivesse à solta. O chefe da guarda não havia adiantado nada para Dante, pedindo que aguardasse para ver com seus próprios olhos, e o que viu o deixou estupefato. Aos pés de um gigantesco mosaico inacabado; seu autor, um mestre mosaicista, jazia morto de forma grotesca. Durante a investigação a trama se complica e outros elementos se misturam, levando Dante a percorrer um caminho tortuoso, onde todo seu intelecto será necessário para desvendar este mistério. O crime seria obra de alguma seita secreta que se desenvolve nos subterrâneos da cidade ou de alguma pessoa(s) particularmente interessada(s) na eliminação do mosaicista? De pista em pista Dante acaba por conhecer um grupo de homens que se intitulam o Terceiro Céu e que se reúnem numa taberna de propriedade de um ex Templário. Lá ele conhece Antilia, uma dançarina enigmática que se apresenta deixando todos os homens fascinados. Durante sua investigação outro homem é assassinado de forma semelhante ao primeiro e o interesse da igreja católica no caso o leva a crer que possa estar envolvida de alguma forma.

Dante Alighieri é mostrado como intolerante, autoritário e decidido e assim vai seguindo os rastros do assassino, até descobrir a verdade. Pelo que já li da Divina comédia, não pensaria que este seria bem o perfil de Dante, mas certamente o autor do livro deve ter realizado suas pesquisas sobre a vida deste célebre conterrâneo seu. Gostei do livro mas não o achei tão empolgante como imaginei de início.

domingo, 11 de março de 2012

A Divina Comédia (post 02)


Conforme postei a primeira vez em 04 de dezembro 2011, estou lendo a Divina Comédia, isto mesmo lendo ainda. Normalmente eu leio em casa quando possível e quando estou me deslocando entre casa e trabalho. Na verdade, em dezembro li poucas páginas pois a época não era das melhores para se iniciar uma leitura, sabe como é, muitas comemorações, correria, final de ano... vocês sabem do que estou falando. Mas em Janeiro 2012 iniciei a leitura de verdade e ainda não conclui, pois tive que dar uma pausa. A obra é dividida em três partes, O Inferno, O Purgatório e  o Paraíso. Os três lugares do mundo ideal onde, segundo as doutrinas do catolicismo, a criatura humana pode achar-se depois da morte. O Inferno contém, afora o vestíbulo, nove círculos, e o Purgatório igualmente nove divisões e o Paraíso nove céus circulares. No desenrolar do Poema, Dante, por ordem e permissão superiores, empreende uma peregrinação por esses três mundos, tendo por guia o Poeta Romano Virgílio, que o auxilia até que chegue ao Paraíso. Li a parte do Inferno e o Purgatório, mas estaquei no Paraíso. É uma obra com um alto grau de dificuldade para sua compreensão, pois além de ter sido escrita por volta de 1300, tem muitas palavras que não são encontradas nem mesmo em dicionários, restando a concentração no texto para compreender seu sentido. Mas não desanimem, recomendo sua leitura mesmo assim, porém não antes de terem lido muitos outros livros, o que facilitará no entendimento da obra. No desenrolar do poema, Dante Alighieri cita os nomes de várias personalidades que viveram em diferentes épocas, algumas conhecidas minhas, como Caifás, Sacerdote judaico da época de Jesus Cristo, outras nem tanto. Dante trás também à tona personagens do folclore mundial, como Minos (mitologia grega) e Lancelot (lenda inglesa), o que apenas enriquece sua obra e mostra o quanto o autor deve ter lido até o dia em que resolveu escrever sua obra. Estou dando um tempo para retomar a leitura mais adiante, pois como falei não é tão fácil e portanto se torna cansativa, mas no momento estou sem outro livro para ler, ou melhor, o livro que estou lendo é mais fácil de ser lido em casa, mas esta é uma outra história, ou melhor, um outro post futuro.


Segue alguns trechos de que gostei mais na Divina Comédia.
(Caso queiram situar os trechos nas páginas que indico, saibam que estou lendo uma edição da Editora Pradense, contendo 605 páginas ao todo)

(pág. 33)
Tão profundo era, obscuro, e tenebroso
Que por mais que seu âmago fitasse,
Coisa nenhuma discernir obtive!
- Ora baixemos à região das trevas,
(começou todo pálido o poeta),
Irei adiante, e tu virás seguindo.-

(pág. 39)
Assim baixei do círculo primeiro
Ao segundo, que abrange área mais breve,
Mas onde a dor maior já move a gritos.
Horrido aí de dentes range Minos;
Aos entrantes as culpas mede, e julga,
E por laços da causa a pena indica.

(pág. 41)
Colhi que a tal tormenta eram todos votados
Os carnais pecados que do instinto
Aos incentivos a razão curvaram.

(pág. 44)
Por passatempo líamos um dia,
Como venceu amor a Lancelotto.
Na leitura por vezes se encontraram
Nossos olhos, e a cor fugia ao rosto;
Eis que um trecho deu causa ao desenlace.
Quando abrasado amante amados lábios
Logrou enfim beijar, não se conteve,
Este que nunca mais de mim se aparta,
Todo trêmulo a boca então beijou-me.
Foram o autor e o livro os medianeiros,
E a leitura ficou ali truncada.-

(pág. 129)
Quando esta profundeza estava olhando,
De onde eu estava o guia a si puxou-me,
Dizendo-me: - Acautela-te, sentido! –
Voltei-me como quem por ver se apressa,
O dano que evitar procura, e no ato
Que subitamente apavorado
Mas não tolhe o terror à fuga os passos;
Sendo assim que notei negro demônio
Por trás de nós vir a correr na rocha.
Que horrenda catadura apresentava!
Na atitude quão duro parecia,
Com pandas asas, e velozes plantas!
Sobre um dos ombros, que era agudo e alto,
Um pecador sentado carregava,
Aferrando-lhe as garras nos calcânios.
Ao acercar-se disse: Ó Malebranche,
Eis um dos anciões de Santa Rita;
Mete-o no fundo que vou de outro em busca,
Superabunda a terra em trapaceiros,
Com exceção apenas de Bonturo,
Aí não há ninguém que não se venda.

(pág. 132)
Contra o mestre os tridentes assestaram
Que lhes bradou: Nenhum seja rebelde:
Antes de em mim privardes essas farpas,
Saia à frente um de vós, e venha ouvir-me,
E resolvam depois como entenderem, -
- Malacoda, vai tu (gritaram todos),
a cujo brado um deles destacou-se.
E acostando-o disse: o que pretendes?
- Crê Malacoda, que eu aqui chegasse,
E aqui me visses (respondeu o mestre,
Sem contra vós possuir seguro escudo?
O divino poder me guarda, e o manda;
Cede o passo, portanto; o céu ordena.
Que eu guie por este orço ente inda vivo.-

(pág. 146)
Este é caifás, me disse, o qual outrora
Foi quem aos fariseus aconselhara
Que alguém do povo às fúrias entregasse.
Nu, em traves aqui jas do caminho,
Conforme notas; e a ninguém é dado
Perpassar 

Este post continua... CLIQUE AQUI

Abraço
Jade

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Gustave Caillebotte


A arte pode ser encontrada em diversas formas e nos locais mais inusitados, como numa sombrinha por exemplo. Estava passeando e à procura de uma sombrinha, quando encontrei uma linda, sem igual. A estampa nada mais é que um quadro de Gustave Caillebotte. Assim que tive a oportunidade de sentar na frente do computador, busquei na internet os trabalhos deste pintor e me deleitei com outros lindos quadros do artista. Isto já tem alguns meses, mas tinha deixado para postar aqui mais adiante mesmo.

Ao conferir sua biografia na Wikpedia, fiquei encantada ao ler que além de pintor, entre outras coisas, Caillebotte era patrono das artes e amigo de outros pintores como Degas, Claude Monet e Auguste Renoir. Imaginem os quatro fazendo um happy hour juntos, que grupo!

Gustave Caillebotte nasceu em 19 de Agosto de 1848, filho de uma família parisiense de classe alta. Seu pai, Martial Caillebotte (1799-1874), era herdeiro da indústria têxtil de propriedade da família. Além disso, era também juiz no Tribunal de Comércio de Seine. Martial Caillebotte ficou viúvo duas vezes antes de casar-se com a mãe do pintor, Céleste Daufresne (1819-1878), que teve mais dois filhos após Gustave: René (1851-1876) e Martial (1853-1910).
Caillebotte nasceu na casa de sua família, na rue du Faubourg-Saint-Denis em Paris, e viveu naquela rua até 1866 quando seu pai construiu uma casa na rue de Miromesnil, também em Paris. Os Caillebottes começaram a passar muitos de seus verões em Yerres, uma cidade nas margens do rio Yerres, a aproximadamente 19 quilômetros ao sul de Paris, em 1860, quando Martial Caillebotte comprou uma extensa propriedade naquele lugar. Foi provavelmente por volta de 1866 quando Caillebotte começou a desenhar e pintar. Muitas das pinturas de Caillebotte exibem os membros de sua família na vida doméstica; Young Man at His Window, 1875, mostra René na casa da rue de MiromesnilThe Orange Trees, 1878, exibe Martial Jr. e sua prima Zoë no jardim da propriedade da família em Yerres, e Portraits in the Country, 1875, mostra a mãe de Caillebotte junto com sua tia, primos, e um amigo da família.

Caillebotte formou-se em advocacia em 1868 e uma obteve licença para praticar direito em 1870. Pouco tempo depois, ele foi convocado para lutar na Guerra Franco-Prussiana e serviu a Guarde Nationale Mobile de la Seine. Após a guerra, Caillebotte começou a visitar o estúdio do pintor Leon Bonnat, onde ele iniciou seus estudos de arte. Em 1873, Caillebotte entrou na École dês Beaux-Arts, mas aparentemente não a frequentou por muito tempo. Por volta dessa época, Caillebotte encontrou e se tornou amigo de vários artistas que não eram da academia francesa, incluindo Edgar Degas e Giuseppe De Nitttis, e compareceu (mas não participou da) primeira exibição Impressionista de 1874.
A abastada pensão que Caillebotte recebia, somada à herança que ele recebeu após a morte de seu pai em 1874 e de sua mãe em 1878 permitiram a ele pintar sem a pressão de vender seus trabalhos. Isso também permitiu a ele ajudar a financiar exibições impressionistas e a dar suporte a companheiros artistas e amigos (incluindo Claude Monet, Auguste Renoir, e Camille Pisarro, dentre outros), ao comprar seus trabalhos e, pelo menos no caso de Monet, pagar o aluguel de seus estúdios. Além disso, Caillebotte usou sua fortuna para financiar vários hobbies pelos quais ele era apaixonado, incluindo colecionar selos (sua coleção encontra-se atualmente no Museu Britânico, cultivo de orquídeas, construção de iates, e até mesmo design de modelos (as mulheres nas pinturas Madame Boissière Knitting, 1877, e Portrait of Madame Caillebotte, 1877, poderiam estar trabalhando em modelos criados por Caillebotte).
O estilo de Caillebotte pertence à escola do Realismo. Como fizeram seus predecessores Jean-Francois Miller e Gustave Courbet assim como seu contemporâneo Degas, Caillebotte tinha como objetivo pintar a realidade como ela existia e como e a via, tentando reduzir ao máximo a teatricidade inerente à pintura. Ele também compartilhava do comprometimento com a verossimilhança ótica dos Impressionistas. Caillebotte pintou muitas cenas domésticas, familiares, interiores, e figuras na paisagem de Yerres, mas ele é mais conhecido por suas pinturas da cidade de Paris, como The Floor Scrapers, 1875, Le pont de l'Europe, 1876, e Paris Street, Rainy Day, 1877. Estas pinturas são um tanto controversas por mostrarem cenas banais e mundanas, e por sua perspectiva profunda. O piso inclinado comum a essas pinturas é bastante característico dos trabalhos de Caillebotte, o que pode ter sido fortemente influenciado por telas japonesas e a nova tecnologia da fotografia. Técnicas como cropping e zoom são facilmente encontradas nas obras de Caillebotte, o que pode ter sido o resultado de seu interesse por fotografia. Um considerável número dos trabalhos de Caillebotte também emprega um ponto de vista muito alto, incluindo muitos de suas pinturas de varandas, como Vue des toits, effet de neige, 1878, e Boulevard vu d'en haut, 1880.
A carreira de pintor de Caillebotte diminuiu seu ritmo drasticamente na década de 1880, quando ele parou de produzir telas de tamanho grande e de exibir seus trabalhos. Ele adquiriu uma propriedade em Petit Gennevilliers, na margem do canal perto de Argenteuil, em 1881, e se mudou pra lá permanentemente em 1888. Ele devotou seu tempo à jardinagem e a construir iates de corrida, e passou muito tempo junto a seu irmão Martial, e seu amigo Renoir, que frequentemente visitava Petit Gennevilliers. Muitas fontes afirmam que antes de sua morte, ele teve um caso com uma mulher muito mais jovem, Emilie Schlauch, mas isso não pode ser confirmado ou negado com base nas evidências históricas existentes. Caillebotte morreu enquanto trabalhava em seu jardim em Petit Gennevilliers em 1894 de congestão pulmonária, e foi enterrado no Cemitério de Père Lachaise em Paris.
Por muitos anos, a reputação de Caillebotte como um pintor foi superada pela sua reputação como financiador das artes. Setenta anos após sua morte, no entanto, historiadores de arte começam a reavaliar suas contribuições artísticas. (fonte Wikpedia).

A imagem que encapa o Post é o quadro que tenho na sombrinha mencionada, abaixo seguem mais alguns dos lindos trabalhos de Caillebotte.
Gustave Caillebotte

Boulevard vu d'en haut
Young Man Playing the Piano

Les raboteurs de parquet

Boulevard des Italiens
Portraits in the Country


The Orange Trees

domingo, 29 de janeiro de 2012

O Retrato de Dorian Gray, sem cortes


Conforme eu havia postado em setembro de 2011, para ver clique AQUI, o livro “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde, conhecido do público a cerca de 120 anos, tinha sofrido alguns ajustes antes de ser publicado. Um dia desses estava numa livraria e, apesar de cansada de receber um não como resposta, voltei a perguntar se tinham o livro sem cortes, qual não foi minha alegria ao verificar que sim. Finalmente chegou ao Brasil. Graças à Editora Landmark a obra já pode ser conferida conforme foi escrita originalmente pelo autor. Claro que comprei na hora e li pela segunda vez. Para a Capa desta versão bilíngue foi usada a mesma imagem do pôster do filme, com pequenas alterações.
Inicialmente foi escrito para uma revista literária norte-americana, A Lippincott’s Mont Magazine. J.M. Stoddart, um dos sócios da citada revista, se encontrava em Londres para coletar pequenos romances e contos para serem publicados e acabou por conhecer Wilde, para quem encomendou um romance. Aliás, este foi o único romance escrito por Oscar Wilde. A obra deveria retratar o pensamento do esteticismo, um movimento que defendia o belo como única solução contra tudo o que considerava denegrir a sociedade na época, onde em suas manifestações mais fortes, os valores estéticos tem predominância sobre todos os aspectos da vida, numa atitude elitista em relação à arte.

Segundo o biógrafo Philippe Julian, em sua obra “Oscar Wilde”, Wilde desenvolveu a trama de “O Retrato de Dorian Gray” a partir de um acontecimento verdadeiro ocorrido com o escritor alguns anos antes: por volta de 1884, Oscar Wilde foi convidado ao estúdio do pintor Basil Ward, onde o mesmo estava finalizando uma pintura de um jovem modelo. Quando a obra foi finalmente completada, Wilde teria dito: “é uma pena que tal gloriosa criatura um dia envelheça”. O pintor concordou com sua opinião, respondendo “seria maravilhoso se ele pudesse permanecer exatamente como ele é; a imagem do quadro que deveria ganhar as marcas do tempo”. A partir deste acontecimento Wilde criou seu romance que foi lançado pela primeira vez em 1890 e sua versão com alterações em 1891.

Quem não leu ainda a resenha do livro, pode acessar clicando AQUI.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Misstigri



Misstigri é uma talentosa designer francesa, pintora e ilustradora. Suas pinturas têm grande influência de artistas da “art noveau” e também da cultura oriental. A escolha de cores é incrível, de muito bom gosto. Muitas vezes ela pinta personagens femininos em posições sensuais e que na minha opinião ficam lindas, principalmente por não serem vulgares.

Vale à pena dar uma olhada em seu blog e alegrar os olhos com tamanha beleza. Clique no link a seguir e confira:
http://www.misstigri.fr/

Segue uma amostra para irem degustando.

Bj
Jade


 

 


domingo, 15 de janeiro de 2012

Paixão

Ignorando os gritos de seus amigos e de Daniel que ecoavam nas paredes sombrias do anunciador, Luce mergulhou naquela escuridão gélida em fuga e em busca de respostas, ela precisava entender o que tudo aquilo significava. Porque o amor dela e Daniel foi amaldiçoado e porque tudo estava tão confuso. Como podia Cam, um demônio, trabalhar ao lado de Daniel, um anjo?  A única coisa que importava agora era sair daquela confusão toda e tentar descobrir a verdade que ninguém queria ou podia lhe contar.

[...] Seus pés bateram em algo, fazendo um “tum”. Algo muito, muito frio. Ela estava em solo firme. Sabia que já não estava caindo, embora nada pudesse ver à sua frente exceto o véu da escuridão. Então olhou para baixo, para seus tênis All Star. E engoliu em seco. Eles estavam mergulhados em um cobertor de neve que lhe chegava até a metade das canelas.[...]

Luce havia viajado no passado e acabara em Moscou, durante a segunda guerra mundial. A única coisa que haviam lhe revelado era que seu amor com Daniel se repetira e acabara de forma trágica a cada reencarnação sua, mas precisava entender, senti-lo. Ela precisava ver com seus próprios olhos e tentar acabar com esta maldição que os perseguia a tanto tempo. E foi assim que Luce seguiu seu caminho, passando por cada reencarnação sua e revivendo os momentos finais daquele amor que sempre estava acima de tudo. Em meio a esta jornada ela encontrará Bill, um ser misterioso com quem esbarrou dentro de um anunciador, quando estava prestes a encontrar seu outro eu de 1854, na Inglaterra. Bill parece querer ajuda-la e ela esta se sentindo muito só, portanto acaba confiando neste inesperado amigo. À medida que mergulha mais e mais fundo no passado, Luce vai compreendendo a intensidade da dor sofrida por Daniel a cada morte sua e o quanto realmente precisam um do outro. Daniel Tenta encontra-la, mas sempre chega quando ela já partiu. Daniel teme que Luce possa mudar algo no passado de forma irremediável e que isto acabe de vez com a chance de salvar o amor deles para sempre.

Neste livro temos também a visão da história deles pelos olhos de Daniel, o que não aconteceu em Fallen ou Tormenta, porém achei este terceiro volume muito água com açúcar e os argumentos usados na trama um tanto fracos. Quanto as capas, preferi as outras duas, que considero perfeitas. O Quarto e último volume da série tem previsão de lançamento nos Estados Unidos em junho de 2012. Agora é aguardar e torcer para que o último livro seja mais interessante do que Paixão.
Para quem ainda não leu as resenhas de Tormenta clique aqui e Fallen clique aqui

domingo, 8 de janeiro de 2012

Quase Noite

No final das contas, matar minha mãe foi bem fácil. A demência, conforme desponta, tem o poder de revelar o âmago da pessoa afetada. O âmago de mamãe era podre como a água fétida de um vaso de flores mortas. Ela era bela quando meu pai a conheceu e ainda capaz de amar quando eu, filha temporã, nasci. Mas, naquele dia, ao me encarar com seus olhos vidrados, nada disso importava mais. [...] 

Assim inicia o livro “Quase Noite” de Alice Sebold. Chocante para as primeiras linhas de um livro, mas esta é a triste realidade da personagem Helen, que depois de anos de convívio com a mãe doente mental, num ato impensado, dá um fim aquela relação vazia de afeto e cheia de desilusões. Sua mãe, tão bela e orgulhosa na juventude, acabara por demonstrar durante o casamento, toda sua incapacidade mental para lidar com as situações mais simples do cotidiano de qualquer pessoa, como sair de casa para ir até a farmácia ou qualquer outro lugar além de sua calçada. Helen cresce num lar entre uma mãe demente e um pai omisso ou que talvez amasse tanto a esposa que não suportaria interna-la em uma clínica, mas o caso é que este lar desestruturado acaba por criar uma mulher carente e que ao mesmo tempo ama e odeia sua mãe, sem saber mais onde um e outro sentimento iniciam ou terminam. Helen, mãe de duas filhas e separada de seu marido, é uma mulher solitária, que vive à sombra das necessidades de sua mãe, sem conseguir de fato viver a sua própria vida. Após cometer o matricídio, sem saber o que fazer, Helen vive momentos de reflexão, alternando o presente com lembranças do passado, desde quando era pequena e seu pai ainda era vivo.

Não é uma narrativa das mais estimulantes, escrito em primeira pessoa o livro se desenrola da perspectiva de Helen, que depois de tantos anos de um convívio doentio com sua mãe e pai, não poderia ser realmente uma pessoa equilibrada. As idas e vindas do passado acabam confundindo um pouco a leitura, mas ela traz muito de algo que é fato. Não podemos escapar totalmente das consequências de uma família desestruturada.   

[...] Tinha começado a tratar meu corpo como se ele fosse uma máquina, para manter tanto meu emprego quanto minha sanidade. Isso foi piorando à medida que as necessidades físicas de mamãe foram aumentando. Entre nós, tudo era melhor se fosse controlado. Os hábitos eram reconfortantes de uma maneira que o amor não podia ser. [...]

Imagem de Mariana Britto
Sigo andando a passos largos...
...sem rumo e sem destino, apenas observando o que se passa e o que passou, o conhecimento traz prazer mas também traz dor.
Jade

Postagens populares