domingo, 3 de julho de 2011

Prazer Secreto

Eliane Quintella, como sempre muito simpática, presenteou seus leitores com uma ótima notícia! Para quem já leu e curtiu seu primeiro livro, Pacto Secreto, e aguarda ansioso pelo lançamento do segundo, poderá conferir o primeiro capítulo, que ela apresentará em 4 partes. A primeira já está em seu blog, aproveitem para conferir logo mais abaixo ou no blog da autora: http://pactosecreto.com/

Muito obrigada Eliane, e sucesso para você!
De minha parte estou bastante curiosa com o desenrolar da história. Cada um de nós tem suas próprias crenças e desejos, além de uma boa dose de curiosidade, o que nos leva a ler seu livro com crescente expectativa.

Confiram também os elogios que o crítico RENATO POMPEU fez ao livro Pacto Secreto, clicando AQUI.

Um pedaço de Prazer Secreto

1. Juramento de sangue
Lá estava eu em cima do palco com um manto de seda negro olhando aquela plateia de líderes satânicos prontos para assistir minha iniciação.
Estranhamente eu estava calma, talvez por assistir a iniciação dos outros líderes, talvez porque tenha me preparado mentalmente para aguentar o ritual. Sinceramente, eu não sabia, mas estava calma.
Havia chegado a minha vez e os batuques dos tambores soavam forte no ritmo de Carmina Burana e, então, Mr. Sinistro me olhou levadamente; era engraçado como ele estranhamente me parecia extremamente charmoso. Suas mãos quentes encostaram nas minhas, ele levantou meu braço e anunciou ao público:
— Eis uma líder da ordem máxima, a única que temos no Brasil. Aplausos para ela!
Então, ouvi urros e gritos da plateia acompanhados de fortes aplausos e calmamente sorri para o Mr. Sinistro e em seguida para a plateia.
Ele com suas mãos quentes tirou delicadamente meu manto negro e me despiu e fiquei completamente nua na frente daquela multidão. Então, ele me olhou e disse:
— Nos dê seu juramento de sangue!
Eu olhei calmamente para a plateia e abri os braços porque eu queria que meu corpo fizesse o sinal da cruz, a fim de que Deus entendesse que meu juramento não era sincero, afinal eu não sabia praticamente nada da Ordem Satânica misteriosa e agora eu estava sendo compelida a fazer um juramento, que não seria genuíno.
A plateia, ao me ver de braços abertos, compreendeu isso como uma entrega absoluta à Satan, e por isso urraram com ainda mais vontade.
Pronunciei as aguardadas palavras, mas meus braços mantinham firme o sinal da cruz:
— Eu sou de Satan a partir de hoje para sempre. Eu entrego a ele minha alma. Eu renuncio a Deus, a Cristo e ao Espírito Santo. A minha única lei é seguir a minha própria vontade. Estou pronta para ser iniciada!
Enquanto dizia essas palavras meu coração sangrava. Porém, eu tinha que aguentar firme — embora as lágrimas teimassem em querer brotar em meus olhos — pelo bem da Sara. Eu não poderia confidenciar nada, tampouco poderia me desesperar. Se acontecesse qualquer dessas coisas, já seria suficiente para quebrar o pacto e perder a minha vida e a tão aguardada recuperação da minha irmã. E assim, segurei as lágrimas dolorosamente, abrindo um sorriso penoso para a plateia, sentindo em minha coluna escorrer lentamente um suor frio e tenebroso, puro receio da banheira de vermelho escuro de sangue que borbulhava em meu cérebro. Eu seria iniciada e eu ainda sabia bem pouco sobre o pacto e a Ordem.
O Mr. Sinistro sorriu com o meu juramento e me perguntou:
— E qual será seu nome?
— Diana.
—Líderes satânicos eu lhes apresento a nova líder: Diana.
Novos gritos e batuques de tambores. Em poucos segundos fui mergulhada na escura banheira de sangue. Respirei fundo e fechei os olhos com força. O sangue não poderia penetrar em mim. Esses segundos duraram infinitamente. Felizmente, o Mr. Sinistro me trouxe rapidamente à tona. Eu estava inteiramente coberta de sangue. Estranhamente minhas narinas me diziam o contrário. Eu sentia fortemente a fragrância de álcool. Sorri aliviada: a banheira era de vinho tinto.
—Vejam que belo sorriso possui a nossa líder Diana. Aplausos para ela.
Colossais urros da plateia, acolhedores de certa forma. Tive meu manto negro de volta, a qual rapidamente vesti e segui tímida para o fundo do palco.
E o ritual seguiu, despindo-se os novos líderes restantes, mergulhando-os na banheira de vinho tinto de sangue, colhendo seu juramento e apresentando-lhes o novo nome satânico a plateia voraz.
Finda a cerimônia, eu havia sido liberada daquela exposição maluca. Ficar nua na frente de uma plateia era meu pesadelo desde criança e se concretizara para meu horror. Corri para fora do palco o mais rápido que pude e respirei aliviada quando cheguei em terra firme. Estava salva. Fiquei aliviada até me lembrar do que viria depois da cerimônia: o bacanal. Meu coração voltou a bater forte e desesperadamente. Escaparia?
Percebi que o Mr. Sinistro estava me olhando, como se estivesse interessado em mim, era estranho pois eu estava gostando, ele possuía uma força de caráter, uma virilidade, que antes me assustavam, mas agora me encantavam. Como eu não havia percebido sua beleza descomunal? Estivera cega?
Antes que eu pudesse refletir a respeito dos meus novos sentimentos pelo Mr. Sinistro, as mudanças no salão começaram a acontecer. Em pouquíssimos minutos, as cadeiras automaticamente afundaram no chão, as pessoas subiram no palco ou subiram para parte mais alta do teatro; em seguida, novo barulho de motor e da parede direita do teatro saiu uma enorme placa quadriculada que cobriu todo o teatro à exceção do palco e da parte mais alta do teatro, transformando o teatro em um enorme salão. Ao longo de todas as paredes brotaram automaticamente bancos. Eu, que tinha voltado ao palco, fomos em direção ao fundo do palco, então, o palco girou e se transformou em um enorme bar.
Terminada a transformação, um frio arrepiou minha espinha, eu sabia que o bacanal rapidamente começaria e eu não queria participar. Eu senti as mãos quentes de algum membro satânico em minhas costas sobre a seda encharcada de vinho tinto e quando olhei era do próprio enviado, a quem finalmente eu podia chamá-lo por seu nome, ainda que fosse seu nome apenas na Ordem Satânica: Mantus.
— Olá Diana. Preciso me acostumar com seu novo nome.
— Olá Mantus — disse meio sem jeito considerando meus trajes regados a vinho tinto para mim absolutamente inapropriados.
— Somos proibidos de nos chamarmos pelo nome que temos fora daqui. Aliás, ninguém é obrigado a revelar sua identidade. A pessoa que você um dia foi, já não existe mais.
— Como se eu soubesse seu nome fora da Ordem, Mantus. Você nunca me disse, esqueceu? De qualquer forma, obrigada por avisar. Vou ficar de olho para ver se ninguém vai pronunciar meu nome em vão — disse sorrindo.
—Fique tranquila que quem sabe é obrigado por nossa Ordem a manter sigilo absoluto e jamais usar essa informação para beneficiar a si mesmo ou a outros ou te prejudicar. É uma regra sagrada. Espera, Diana. Como você sabe meu nome na Ordem?
—Já se esqueceu da minha visita a este casarão?
—Não, Diana. Com o tempo você entenderá que não deve revelar seu nome. Seu nome em segredo é sua proteção, inclusive proteção à magia.
— Eu vejo que tenho muito a aprender.
— Você gostará daqui. Sei disso.
— E cadê minha grande amiga? Você sabe que eu não posso falar seu nome. Não me obrigue a ter que falar — disse sorrindo com cara de sapeca.
— Lilith? Ela está no curso que temos para advogados.
— Interessante.
— Um curso onde se aprende sobre a visão satânica do Direito. Você sabe como as leis e o sistema podem ser manipulados a nos favorecer.
—Eu quase morri por minha curiosidade, bem, você sabe, eu fiquei até hospitalizada, mas consegui ouvir um pouco desse curso, e… — disse insinuando que havia escutado ao curso que o Mantus frequentava — também sobre outros cursos…
— Gostou do que ouviu? — Seus olhos brilhavam em seu rosto divinamente angelical.
— Eu não me interesso muito por Direito.
— Por quê?
— Bem, eu sigo meus próprios princípios, minhas regras, sempre fui assim. Sinceramente, eu não acredito que as leis alcancem realmente seu objetivo, tampouco acredito que as leis consigam ser tão maleáveis como nossa liberdade de pensar, decidir e agir. E eu sempre gostei de ser livre.
— Eu já imaginava — disse com seu sorriso maravilhoso olhando fixamente em meus olhos. — Sabe nós também não gostamos de lei e não fazemos a menor questão de respeitá-la. Porém, é incrível como se consegue rasgar o espírito da lei dentro do próprio sistema. Verdadeiramente só isso que estudamos aqui, você sabe como usar a lei para alcançar sua própria vontade, seu desejo mais particular.
Eu não sabia se era a minha nova condição de demonizada ou o quê; o fato é que eu não sentia tremedeiras, vontade de desmaiar, tampouco meu coração acelerava, apenas achava Mantus incrivelmente belo, porém não existia mais delírio algum da minha parte. Parecia que a febre que ele me causava tinha felizmente chegado ao fim.
— Mas há outras aulas aqui que irão me interessar — disse a ele francamente.
— Eu tenho certeza disso. Você acha que está pronta para ser iniciada?
— Você acha que sim, Mantus?
— Acredito que sim. Não é fácil. As provas de iniciação podem ser cruéis.
— Me conta! Como é a iniciação?
— Não posso dizer muito. É necessário que realmente seja uma surpresa para você.
— Você e seus segredos… Havia me esquecido.
— É sério. Valen… Desculpe-me, Diana.
— Cuidado. Parece que você quer dar com a língua nos dentes e quebrar meu segredo.
—Desculpe-me. Isso não se repetirá — ele disse me olhando seriamente, como se tivesse cometido um grande erro.
—Mantus, podemos ter conversas pessoais aqui?
— Depende…
— Posso saber o que faz? Onde trabalha? Quem você é?
— Perguntas relativas à minha identidade, não. Sabe, eu não me interesso em partilhar detalhes da minha vida pessoal. Não vejo objetivo algum nisso. Porém, podemos falar sobre sentimentos, experiências, conhecimento e tudo mais que quiser. Tudo que possa realmente lhe ser útil.
— Eu não gosto muito de conversa sentimental… Me desculpe.
— Não se esqueça que, se precisar desabafar, pode contar comigo — falou em tom de brincadeira.
— Obrigada, mas não o considero meu amigo.
— Que maldade! Depois de tudo que fiz para você? — disse sorrindo ironicamente.
—Acredite se quiser — disse ainda mais irônica.
Olhei a minha volta e as pessoas se beijavam, bebiam, se drogavam, transavam, alguns dançavam alucinadamente sob as batidas tresloucadas do rock que consumia o salão.
— Bem, me parece que a festa começou. Se você me der licença… — disse educadamente.
— Você não quer aproveitar e matar sua vontade e finalmente fazer um sexo esportivo comigo? — disse sedutoramente
— Lilith deixaria? — fingia preocupação.
— Não há problema algum, se for nesta festa em que a ordem é o absoluto desapego, liberdade sexual, busca simples e pura do prazer entre pessoas que se atraem fisicamente, como você e eu. Hoje a noite é de Dionísio e somos todos seus fiéis discípulos — sua voz era extremamente sensual e ele meu puxou para perto dele fazendo com que meu corpo se encostasse em seu corpo escultural e quente.
Olhei para as paredes e para o teto e havia belíssimas pinturas de Dionísio e seus colossais e consagrados bacanais. Engraçado, podia ser o medo que eu tinha no dia que ingressei ilegitimamente no casarão, mas eu não havia reparado naquelas belíssimas pinturas inspiradas no renascimento.

domingo, 26 de junho de 2011

Heresia

Um suspense histórico que se desenrola na Inglaterra de 1583. Uma época em que as escolhas religiosas andavam junto com a política de governar. A Rainha Elizabeth da Inglaterra, protestante, é alvo de uma rede de conspirações para derrubá-la, motivo pelo qual todo o católico é considerado um inimigo, devendo ser eliminado. O Monge Italiano, Giordano Bruno, filósofo, cientista e estudioso de magia, suspeito de heresia, foge da inquisição, deixando para trás a ordem religiosa e a Itália. Em sua viagem pela Europa, a fim de salvar a própria vida, acaba sob a proteção do embaixador francês. Juntamente com seu amigo, Sir Fhilip Sidney, Bruno ruma em viagem para a renomada Universidade de Oxford, onde irá participar de um debate sobre as idéias de Copérnico. Mas não é apenas o debate que o leva até lá. Ele acaba sendo recrutado por Sir Francis Walsingham, ministro da rainha Elizabeth, com o objetivo de descobrir qualquer movimento católico. Porém, o que Bruno realmente almeja, é a oportunidade de procurar um livro muito antigo e proibido, que pode estar em Oxford. Em sua primeira noite na Universidade, um dos integrantes do corpo docente é brutalmente morto e sua atenção acaba sendo desviada de seus objetivos, uma vez que ele parece ser o único que acredita num assassinato. Bruno percorre a cidade em busca de respostas, se envolvendo numa rede de intrigas e traição. Outros homens são mortos, lembrando mártires católicos e confirmando suas suspeitas. Quem será o assassino, ou assassinos? Um grupo religioso perseguindo seus oponentes? Em meio a tudo isto, Bruno corre por sua própria vida e a de Sophia, filha do Diretor da Universidade, por quem nutre uma paixão.  



Sobre a autora
S. J. Parris é o pseudónimo de Stephanie Merritt. Nascida em 1974, colaborou como crítica e jornalista numa série de jornais e revistas, na rádio e na televisão. Atualmente escreve para o The Observer.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Enchanted Doll ou Boneca Encantada


A Artista Marina Bychkova, nasceu e viveu na Sibéria, na Rússia, até seus 14 anos de idade. Em 1997 sua família emigrou para Vancouver, no Canadá, onde vivi.

Sua necessidade de trabalhar com bonecos tornou-se evidente como uma chamada quando tinha seis anos de idade. Quando criança ainda percebeu estarrecida a  mediocridade e a apatia sem inspiração de bonecas produzidas em massa. Essa frustração profunda juntamente com sua sensibilidade natural, a inspiraram a criar seus   próprios bonecos, adaptando suas próprias ideias de beleza feminina.



No início, queria apenas brinquedos para brincar, mas em breve, o seu desejo de fazer bonecas evoluiu em sua própria paixão, e quando tinha dez anos, já não se preocupava com o que brincar e sim porque a concepção e a construção deles se tornou o jogo mais desafiador, intrigante e divertido de todos.

As primeiras bonecas foram vendidas para seus colegas de aula e somente aos 24 anos de idade decidiu se comprometer de maneira profissional com as bonecas. Sua formação de arte conceitual na Emily Carr Institute de arte e design, influenciou esta escolha, moldando a direção e as qualidades estilísticas do seu trabalho em sua forma atual. Inspirada em um curta, baseado em um conto do escritor americano Paul William Gallico (26 de Julho de 1897 – 15 de Julho de 1976), escolheu o nome dado a seu trabalho "Enchanted Doll".

Lindo o trabalho desta artista! Seus bonecos de porcelana articulada, têm uma expressão marcante e a imaginação flui solta na criação de roupas e acessórios. Com uma certa dose de sensualidade, as bonecas se destacam por uma riqueza de detalhes que ela mesma cria, inclusive roupas. Ainda bem que Marina se decidiu por fazer este trabalho profissionalmente, assim muito mais pessoas tiverem a oportunidade de conhecê-lo. Ela também personaliza a boneca até um certo grau sob encomenda. É um trabalho muito elaborado e mais direcionado para adultos.

Vejam que as poses das modelos (bonecas...rsrs) e fotos são de tanto bom gosto, que elas parecem querer falar com a lente do fotógrafo.











           
Se quiser acessar o site de Marina Bychkova clique AQUI 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Dia dos Namorados

Para os enamorados irem se inspirando!


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia

Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite, surgiste na tarde, tal rosa tardia
Quando nós nos olhamos, tardamos no beijo, que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos, ardendo, na luz que morria
Em nós dois, nessa tarde em que tanto tardaste, o sol amanhecia
Era tarde demais, para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela, de todas as noites, que me adormeceram
Dos noturnos silêncios, que à noite de aromas e, beijos se encheram
Foi a noite, em que os nossos dois corpos cansados, não adormeceram
E, da estrada mais linda da noite, uma festa de fogo fizeram

Foram noites e noites, que numa só noite, nos aconteceram
Era o dia da noite, de todas as noites, que nos precederam
Era a noite mais clara, daquelas que à noite se amando, se deram
E entre os braços da noite, de tanto se amarem, vivendo morreram

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e, acordado, recordo no canto
Essa tarde, em que tarde surgiste, dum triste e profundo recanto
Essa noite, em que cedo nasceste, despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo, para quem se quer tanto!

Poema de Ary dos Santos
 
Bj Jade.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pacto Secreto

Valentina e Sara são irmãs gêmeas. Belas, ricas e donas de uma fazenda onde criam cavalos. Valentina é mais ousada e corajosa e Sara mais meiga e romântica. Uma gosta de desafios, enquanto a outra é mais reservada. Às vezes, por puro divertimento, as duas gostam de trocar de lugar. Durante um passeio na fazenda, as duas trocam de cavalo e Sara acaba se machucando seriamente e ficando tetraplégica. Valentina se afligi com a culpa, pois a troca foi sugestão sua e desde então a tristeza parece não ter mais fim. Seu amado pai já se foi alguns anos antes e agora, ela, sua mãe e sua irmã parecem estar sendo postas à prova. Já se passaram três anos desde o acidente e aos poucos, Valentina retoma sua vida. Depois de alguma insistência das amigas, ela resolve sair à noite, o que poderá ser o início de uma vida nova. A princípio ela julga que o rapaz no bar,  lindo de morrer e que não tira os olhos dela, é apenas uma paquera. Porém ao se sentar ao lado dele, Valentina verá que ele esconde bem mais sob aquela bela aparência...

[...]- Posso chamá-la pelo seu nome, Valentina?
- Como sabe meu nome? – me assustei, pensando se era algum trote das minhas amigas...
- Não tem nada a ver com elas.
Arranquei minhas mãos das dele e o questionei intrigada:
- Quem é você então?
- Quem você pediu – disse ele, me encarando como se estivesse buscando ler minha mente...
- Eu trabalho para o que você chama de Diabo.[...]

Valentina tem muitas perguntas e poucas respostas, mas a vontade de restaurar a saúde de sua irmã é tudo o que ela mais deseja. Mas o que acontecerá se ela firmar o pacto? Será a solução de seus anseios ou uma armadilha da qual não poderá mais fugir?


Confira a história envolvente desta mulher corajosa em Pacto Secreto, primeiro livro de Eliane Quintella, uma brasileira que começou a escrever ainda criança para o Jornal do bairro em que morava. Em sua infância era conhecida entre seus colegas pelas redações que escrevia. Quem estudou com ela no ginásio lembra-se de suas redações. Naquela época, ela já tinha a certeza de que queria passar toda sua vida escrevendo. A vida seguiu. Eliane formou-se em Direito, trabalhou, fez mestrado, trabalhou, fez cursos, trabalhou e nunca deixou de escrever. Até que um dia viu-se em casa, com o punho quebrado, por um mês inteiro. Era sua grande chance. Escreveria um livro. E, foi assim que animada começou o projeto do seu primeiro livro: Pacto Secreto, que é um pedaço do seu sonho, pois ele é ainda maior e repleto de livros. 

Visite o Blog de Eliane Quintella em  http://pactosecreto.wordpress.com/
Jade - Quais foram seus maiores desafios na hora de escrever Pacto Secreto?
Eliane Quintella - A pesquisa para elaboração do livro é um grande desafio. É preciso que o escritor mergulhe integralmente no universo do seu livro. E como sou curiosa gosto de querer saber sempre mais. Portanto, foi um desafio, prazeroso quero salientar, fazer toda pesquisa para o livro. E como a cultura é ampla não podemos nos limitar apenas aos livros, temos que assistir filmes sobre o tema, revistas, etc.

Jade - Quais seriam suas dicas para quem vai escrever o primeiro livro?
Eliane Quintella - Solte sua imaginação e escreva um livro que gostaria de ler mais de uma vez. 

domingo, 22 de maio de 2011

O Jogo do Anjo

                                                              Imagem de Mariana Britto

Abertura do livro:
“Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço”.

Carlos Ruiz Zafón, autor também de A Sombra do Vento, nos leva de volta a Barcelona, desta vez para nos contar a história de David Martín, um jovem de 17 anos, cuja infância foi marcada pelo sumiço da mãe e a morte do pai, um homem transformado pela guerra das Filipinas. David trabalha como assistente em La Voz  de La Industria, um jornal decadente que definha num edifício cavernoso. Com a ajuda de seu benfeitor, Pedro Vidal, homem rico e mui generoso, David terá a oportunidade de escrever contos para serem publicados no jornal e a que intitula de Os Mistérios de Barcelona. Como o sucesso nunca vem sozinho, David percebe que a aceitação do público acaba por despertar a inveja de seus colegas de trabalho, que passam a tratá-lo com animosidade. Neste meio tempo, ele recebe um envelope de pergaminho branco, selado com a figura de um anjo, o primeiro dentre outros, e que trazia dentro um convite. As oportunidades vão surgindo e David se agarra a cada uma delas. Um casarão antigo, pelo qual sempre nutria um interesse, está vazio e ele passa a morar nele. Porém nem tudo vai bem, a mulher por quem é apaixonado se casa com seu melhor amigo e as cartas misteriosas, seladas com um anjo, continuam chegando, trazendo esperança e desgraça. Acreditando que está por morrer, David aceita a proposta de Andréas Corelli, um estrangeiro que se diz dono de uma editora de livros e que lhe faz a encomenda de um livro, cujo tema é no mínimo inusitado. Sua saúde é restaurada misteriosamente e à medida que trabalha no livro, David descobre alguns fatos estranhos envolvendo o antigo dono da casa onde mora, que o levam a desconfiar que está sendo envolvido em algo obscuro. Tentando entender o que se passa, David acaba mergulhando cada vez mais em complicações e fatos inexplicáveis, que o levam a um caminho sem volta.

Um livro que prende o leitor e encanta, com uma boa dose de mistério e um texto inteligente, escrito com a alma do autor. Gostei ainda mais deste livro do que a Sombra do Vento. Carlos Ruiz Zafón escreve de maneira poética e com algumas pinceladas de humor característico dele. Muitas vezes me peguei relendo algumas passagens e divido aqui algumas delas, para entenderem do que estou falando.


“A inveja é a religião dos medíocres. Ela os reconforta, responde às angústias que os devoram por dentro. Em última análise, apodrece suas almas, permitindo que justifiquem sua própria mesquinhez e cobiça, até o ponto de pensarem que são virtudes e que as portas do céu se abrirão para os infelizes como eles, que passam pela vida sem deixar outro rastro senão suas toscas tentativas de depreciar os demais, de excluir e, se possível, destruir quem, pelo mero fato de existir, coloca em evidência sua pobreza de espírito, de mente e de valores. Bem-aventurado aquele para quem os cretinos ladram, pois sua alma nunca lhes pertencerá”.


“Voltei a trabalhar no 7º dia. Esperei que desse meia-noite e sentei na escrivaninha, uma página limpa no tambor da Underwood e a cidade negra atrás das janelas. As palavras e imagens brotaram de minhas mãos como se estivessem esperando com raiva na prisão da alma. As páginas fluíam sem consciência nem medida, sem outra vontade senão a de enfeitiçar e envenenar os sentidos e o pensamento”.


“A chuva não chegou antes do anoitecer e quando começou a cair, desmoronou em cortinas de gotas furiosas que em apenas alguns minutos cegaram a noite e afogaram telhados e becos sob um manto negro que batia com força em paredes e vidros”.


Sobre o Autor
Carlos Ruiz Zafón é um dos autores mais lidos e reconhecidos mundialmente. Ele começou sua carreira literária em 1993 com O Príncipe da Névoa, que ganhou o Prêmio Edebé. Desde então, publicou quatro romances, sendo que os três primeiros foram dirigidos para um público mais jovem, e intitulam-se de El Palacio de la Medinoche, Las Luces de Semptiembre e Marina. Em 2001 ele publicou seu primeiro romance adulto, A Sombra do Vento, que logo se torna um fenômeno literário internacional. Com O Jogo do Anjo (2008) retorna ao universo do Cemitério dos Livros Esquecidos. Suas obras foram traduzidas para mais de quarenta línguas e já ganhou inúmeros prêmios e milhões de leitores em cinco continentes 
Visite o site dele AQUI

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Fotos em Movimento

Jamie Beck e suas impressionantes fotos que se movimentam.

Muito mais do que gifs são as fotos em movimento de Jamie Beck, batizadas como “cinemagraphs”. De muito bom gosto o trabalho desta  fotógrafa de Nova Iorque.




sábado, 14 de maio de 2011

O Vôo da Vespa

A Inglaterra está em guerra contra a Alemanha nazista, e os comandantes da Inglaterra não conseguem entender como seus aviões estão sendo abatidos de forma tão arrasadora. Eles precisam descobrir qual é o trunfo que os alemães escondem, antes que seja tarde demais e fiquem sem nenhum recurso. Neste meio tempo, longe da Inglaterra, em Sande uma ilha na Dinamarca, um grupo de espiões dinamarqueses intitulados Vigilantes Noturnos, observa em segredo o movimento dos nazistas em seu País. Alguns Dinamarqueses aceitam a ocupação de maneira neutra, devido a aparente tolerância dos alemães para com os cidadãos, mas outros se ressentem com o fato do País ter se rendido sem ao menos lutar. A espiã aliada Hermia Mount, uma mulher forte e de língua afiada, está na Inglaterra,  de onde comanda os Vigilantes Noturnos. Ela é noiva de um piloto Dinamarquês, mas devido a guerra, a muito tempo os dois não se vem, e ela é incumbida de tentar descobrir se existe alguma arma secreta nazista na Dinamarca, local estrategicamente favorável. As coisas  não saem como o esperado e algumas pessoas morrem em prol da causa. Hermia resolve ela mesma ir até a Dinamarca, no fundo sabe que também é movida pelo desejo de reencontrar seu noivo, mas muito mais que isto está em jogo. A União Soviética está sendo atacada pelos alemães e a Inglaterra precisa de um plano de ataque seguro, pois terão que usar quase todo seu efetivo aéreo para o combate. O cunhado de Hermia, Harald Olufsen, por uma jogada do destino esbarra com o radar alemão, que fica numa instalação militar próxima de sua casa e acaba se envolvendo neste jogo de espionagem de forma quase irresponsável, colocando sua própria vida em perigo para fazer algumas fotos do aparelho. Agora que está sendo procurado, sua única chance de escapar e chegar na Inglaterra com as fotos, é um avião Hornet Moth, entregue ao esquecimento e precisando reparos. Harald conta com a ajuda de Karen, filha do dono do avião e por quem nutre uma paixão secreta. Ela sabe pilotar o avião e os dois precisarão de muita coragem para seguir com o plano. 

Bom o livro, mas não me empolguei muito, gostei mais de Os Pilares da Terra, que se passa na Inglaterra da idade média.


 

Sobre o autor
Ken Follett, que é Considerado um dos mestres das tramas de suspense e espionagem,  nasceu na Inglaterra em 1949, estudou filosofia na University College, em Londres, e, após uma pós-graduação em jornalismo, começou a escrever no South Wales Echo, jornal de sua cidade natal, Cardiff. Três anos depois, quando trabalhava como repórter no London Evening News, lançou seu primeiro romance, The Big Needle, mas não obteve sucesso. Continuou escrevendo e somente ao lançar O buraco da agulha, em 1978, tornou-se conhecido e foi agraciado com o prêmio Edgar Award. A trama ganhou uma adaptação para o cinema, dirigida pelo conterrâneo Richard Marquand e estrelada por Kate Nelligan e Donald Sutherland.

sábado, 7 de maio de 2011

O Historiador



O Ano é 1972 e uma jovem de 16 anos, órfã de mãe, se dedica obedientemente aos estudos enquanto seu pai viaja pela Europa em missões diplomáticas. Durante uma dessas ausências a jovem encontra na biblioteca de casa, um livro muito antigo e um envelope cheio de papéis amarelados pelo tempo. Não podendo conter sua curiosidade, ela abre o primeiro documento da pilha, datado de 12 de dezembro de 1930, que se inicia... Meu caro e desventurado sucessor... Alguns dias se passam até que possa conversar com seu pai e, quando surge a oportunidade, ela aproveita o momento para insistir que desejava acompanhá-lo em sua próxima viagem. Eles viajam para uma cidade chamada Emona, onde consegue reunir coragem, pedindo ao pai para lhe contar sobre a história daquelas estranhas cartas e do curioso livro de capa de couro macio, que trazia dentro apenas uma xilogravura com a imagem de um dragão de asas abertas e uma comprida cauda enrolada. E assim Paul começa a contar para a filha, sobre uma noite de primavera em que se deparou com o livro sobre a mesa e de como procurou seu mentor e amigo, o professor Rossi, que a seguir sumiu misteriosamente, deixando-lhe aqueles papéis e uma história perturbadora. Rossi  lhe revela que recebeu um livro igual aquele a alguns anos, o que o levou a viajar pela Romênia e Bulgária, onde encontrou alguns documentos muito antigos sobre o século XV, que o levaram a crer que o príncipe Vlad Tepes, ainda vivia. À medida que Paul conta sobre o conteúdo das cartas para a filha, a história retrocede nesse passado recente, quando Paul motivado pelo desejo de encontrar o amigo e também descobrir mais sobre aquele livro, acaba por conhecer a ex-mulher, Helen, que o acompanha nesta louca jornada, viajando pela Bulgária e Romênia, entrando e saindo de bibliotecas e mosteiros, juntando fragmentos da história de Vlad Tepes, o “Empalador” da Valáquia, que originou o tão famoso  livro de Bram Stoker “Conde Drácula”.

Muito bom o livro, principalmente para quem aprecia um fundo histórico, mas devo alertar que o suspense e o terror são em doses homeopáticas, portanto não deve ser lido contando com isto. Devido à riqueza de detalhes, é fácil mergulhar na história, porém, em minha opinião o final deixou a desejar. É um livro extenso, são 541 páginas, e logo no final, que seria a parte em que a autora poderia ter investido mais, foi simplista.

Abaixo algumas fotos dos lugares percorridos pelos personagens, para ir entrando no clima...rsrs.



Sobre a autora
 A americana Elizabeth Kostova formou-se na Universidade de Yale e fez mestrado na Universidade de Michigan, onde ganhou o prêmio Hopwood de melhor romance em andamento. O Historiador é resultado de dez anos de pesquisa e de uma vida inteira de imaginação – desde a infância, quando seu pai lhe contava histórias sobre o Conde Drácula, Kostova sonhava escrever um livro como este.

domingo, 24 de abril de 2011

Páscoa e a vida de Jesus na Arte

Sendo uma data tão importante e um marco na história da humanidade, claro que não poderia deixar passar em branco, portanto pesquisei como alguns artistas eternizaram a vida, morte e ressurreição de Jesus Cristo, ou Jesus de Nazaré, nos proporcionando uma melhor visão do que foram aqueles dias e nos dando asas à imaginação. Para quem não sabe, Nazaré é o povoado de onde Jesus veio, pois naquela época era hábito dizer de onde a pessoa vinha, incorporando o nome do lugar ao próprio nome dela.

Uma Feliz Páscoa para todos!

Sandro Botticelli, Annunciation

Leonardo da Vinci, The Annunciation
 
William Bouguereau, Regina Angelorum
  
William August Bouguereau, Song of Angels

Paolo Veronese, The Adoration of the Magi
 
Henryck Hector Siemiradzki, Christ in the house of Martha e Mary

Leonardo da Vinci, A Santa Ceia

Michelangelo Caravaggio, The Betrayal of Christ

Antonio Ciseri, Ecce homo

William Bouguereau, Compassion

Herbert Gustave  Schmalz, Return from Calvary

William Bouguereau, Pietá


Antony Van Dick, The Lamentation of Christ


Michelangelo Caravaggio, The Incredulity of Saint Thomas

Frase do livro O Segredo do Reino, de Mika Waltari
"Nunca estarás tão sozinho que eu não possa estar contigo, se me chamares".

Imagem de Mariana Britto
Sigo andando a passos largos...
...sem rumo e sem destino, apenas observando o que se passa e o que passou, o conhecimento traz prazer mas também traz dor.
Jade

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